Ler a periodização do aluno
A aba Periodização de cada aluno deixou de ser só “o plano que o Motor montou” e passou a responder a pergunta que todo coach faz: o atleta está no caminho? A tela segue uma ordem de leitura: Diagnóstico (o veredito + os pontos que pedem ação) → Alavancas (onde você age: prova, nível, esportes, metodologia) → Evidência (os gráficos que sustentam o diagnóstico) → Semana (a execução). Abaixo, o que cada bloco te conta.

A analogia
Seção intitulada “A analogia”Pense num painel de voo: no topo, uma luz só te diz se está tudo no rumo (no caminho / atrasado / chegando cansado). Logo abaixo, os instrumentos que explicam por quê — altitude (forma), combustível (carga), distribuição (modalidade e intensidade). Você não precisa ler tudo: a luz já te diz se precisa olhar fundo.
No caminho? — o veredito no topo
Seção intitulada “No caminho? — o veredito no topo”O primeiro bloco resume, numa frase, a leitura do Motor sobre a chegada na prova:
- No caminho — a projeção fecha perto do alvo, com forma adequada no dia.
- Atrasado — no ritmo atual, a forma projetada fica abaixo do alvo. Falta carga ou tempo.
- À frente do alvo — sobra espaço; talvez dê pra subir de exigência (ver o sinal de nível).
- Risco de chegar fatigado — a projeção fecha com a forma muito negativa: alívio insuficiente no fim.
Ao lado, três números que sustentam o veredito: CTL agora → alvo (com a projeção e o quanto falta), carga recente (TSS por semana das últimas 4, comparado ao regime que o alvo pede) e TSB na prova (a forma projetada para o dia).
Projeção de tempo de prova
Seção intitulada “Projeção de tempo de prova”Logo abaixo do veredito, um card traduz a trajetória de forma num tempo estimado para a prova-alvo (com uma faixa, ex.: 6h30, faixa 5h51–7h09). Ele cruza o CTL que a rota deve atingir no dia com a tabela de tempos de referência por nível — então sobe sozinho conforme o atleta constrói. É estimativa, não promessa (banda de ±10%), e fica mais fino quando há pace/limiar real registrado. Só aparece em provas de pace previsível (corrida e triatlo).
Eficiência aeróbica — o motor está construindo?
Seção intitulada “Eficiência aeróbica — o motor está construindo?”Volume e CTL dizem quanto o atleta treinou; eficiência aeróbica diz se a base está virando motor. O bloco mostra, por semana e por modalidade (corrida e bike), o decoupling — a deriva cardíaca ao longo do esforço (o quanto a FC sobe sem o ritmo/potência acompanhar). Menor é melhor (alvo abaixo de 5%): decoupling caindo ao longo das semanas = durabilidade aeróbica melhorando, mesmo que o CTL ainda não tenha subido. Ao lado vai o EF (efficiency factor) do Intervals (maior = melhor). É o sinal que, na fase de base, importa tanto quanto o volume.
Pontos de atenção — o que pede ação
Seção intitulada “Pontos de atenção — o que pede ação”Logo abaixo do veredito, um único painel reúne tudo que pede o seu olhar — antes isso vivia espalhado em quatro lugares (auditoria da rota, “alvo superdimensionado”, gap de capacidade e a lista de alertas). Agora é uma lista priorizada (crítico → atenção → informativo), cada ponto nomeado e explicado em linguagem de coach. Quando há uma alavanca óbvia na própria tela, o ponto traz um botão que te leva direto a ela — ex.: “Alvo pode estar superdimensionado” tem um “Rever nível” que rola até o seletor de Nível e o destaca; um alerta de volume te leva a Recalcular. Sem pontos abertos, o painel mostra um selo verde de “nada pedindo ação”.
O que entra aqui: a saúde do plano (rampa dentro do teto da fase, forma sem furar o piso, recuperação na cadência certa, progressão real entre fases, frescor no dia da prova — o que Os Vigias do Plano vigiam); a calibração do alvo (se o nível está super ou subdimensionado para o prazo, com o nível sugerido); o gap de capacidade; e os alertas materializados do aluno.
Um sinal típico é o platô de forma: se a rota fica plana semanas a fio (mesma carga, CTL parado), não é periodização — é “rampa-e-segura”. Quando o aluno já está no alvo, o motor evita isso entrando em manutenção ondulada (ver Como funciona o Motor).
Forma planejada × real
Seção intitulada “Forma planejada × real”O gráfico sobrepõe o que foi ao que está planejado: a forma real (CTL) e a fadiga real (ATL) até hoje, e a partir daí a rampa projetada do Motor, com as faixas das fases ao fundo e as barras de TSS realizado × planejado por semana. É onde você enxerga, de relance, se o real está acompanhando a rota — e onde a onda do plano fica visível: a forma sobe nas semanas de carga e recua nos alívios, em vez de seguir uma linha reta.
Carga por modalidade
Seção intitulada “Carga por modalidade”Para o triatleta, carga total não basta. Este bloco mostra quanto de cada modalidade o aluno realmente treinou (corrida / bike / natação, últimos 28 dias) contra o peso planejado do bloco. Uma divergência grande — bike planejado em 50% mas só 30% realizado — denuncia treino fora do foco da fase.
Polarização — distribuição de intensidade
Seção intitulada “Polarização — distribuição de intensidade”Mostra onde o aluno passou o tempo: fácil (Z1–Z2), zona de limiar (Z3) e forte (Z4+), comparado ao que a metodologia previa. Muito tempo no meio (a zona cinza, Z3) costuma render menos que polarizar entre fácil e forte — e o painel te avisa quando isso acontece.
Baseline semana a semana
Seção intitulada “Baseline semana a semana”A tabela final detalha cada semana — realizadas (TSS, CTL, ATL, TSB e rampa que de fato aconteceram) e planejadas (a rota adiante), com uma divisória marcando o hoje. É o “extrato” para quem quer o número exato.
O TSS desta coluna conta só os esportes de endurance (natação, bike e corrida) — o mesmo escopo que o Motor planeja —, então o realizado compara maçã-com-maçã com o plano. A força entra à parte (o “+N força” ao lado do número) e continua somando na forma (CTL/ATL/TSB), porque ela fadiga o corpo mesmo sem ser endurance. Por isso o CTL pode subir um pouco mais do que o TSS de endurance sozinho explicaria: a diferença é a força.
Gap de capacidade — quando o tempo do aluno não cobre a prova
Seção intitulada “Gap de capacidade — quando o tempo do aluno não cobre a prova”O Motor mira o que a prova exige (a forma — CTL — que ela pede), não o que cabe na agenda do aluno. Quando o tempo declarado pelo aluno (em “Minha disponibilidade”) não cobre a carga que o plano precisa no patamar do bloco, aparece um Gap de capacidade entre os Pontos de atenção: quanto o plano pede por semana, quanto o aluno declarou, e quanto falta — junto com a forma (CTL) que cada cenário sustenta.
Dois pontos importantes: (1) o alvo não é rebaixado — o número continua sendo o que a prova exige (baixar escondido daria um plano confortável que nunca chega lá); o aluno é informado do trade-off e escolhe entre abrir mais tempo, ajustar a meta com você, ou seguir ciente. (2) o card diz se o aluno já marcou “ciente” na PWA dele — então você sabe que a conversa já chegou nele antes de cobrar. O aluno vê o mesmo gap na aba Semana do app.
Prontidão de prova
Seção intitulada “Prontidão de prova”Perto da prova, um card de Prontidão resume “o aluno está pronto?” num score (0–100) e um tier (pronto / no caminho / precisa de ajustes). Ele combina quatro sinais: a forma física (o CTL chegou perto do alvo de pico?), o frescor (o TSB, lido conforme a fase — no taper/peak queremos descansado; no build a carga negativa é esperada), os simulados recentes (como foram os ensaios de prova) e a recuperação (wellness). É honesto com o tempo: faltando mais de ~10 semanas, mostra “construindo” em vez de um veredito — a prontidão de verdade entra no peak/taper. O aluno vê o mesmo card em Minhas Provas.