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Perfis de Atleta

Dá. O Perfil de Atleta diz ao Copiloto Endure com quem ele está falando. O diagnóstico é o mesmo, os números são os mesmos, o veredito é o mesmo — muda a lente da conversa.


Esta parte importa mais que a outra. O Perfil:

  • não muda o treino prescrito — o calendário do aluno sai idêntico em qualquer perfil;
  • não muda o veredito — se o treino ficou fora da zona, ele ficou fora da zona nos seis perfis;
  • não muda número — TSS, aderência, tempo por zona, pace: iguais;
  • não silencia risco — nenhum perfil esconde um sinal de alerta.

Ele muda só como o texto conversa com o atleta: o que abre a mensagem, o que é celebrado, quanto vocabulário técnico entra, com que comparação o resultado é medido.


É a confusão mais fácil de cometer, e a mais cara. São dois controles diferentes, em telas diferentes:

Onde ficaO que mexe
Nívelaba Periodização do alunoa carga do treino — fases, volume, CTL-alvo. Mexer aqui muda o que o aluno vai treinar.
Perfilcard Perfil na ficha do aluno (e na lista)só o jeito de conversar da IA. Mexer aqui não move um treino de lugar.

Se você quer que o aluno treine mais forte, mexa no Nível (como fazer). Se você quer que ele seja cobrado de outro jeito no texto da manhã, mexa no Perfil.


A ordem vai de quem treina por saúde a quem treina por pódio. Todo aluno começa em Evolução, salvo se você (ou o padrão da assessoria) disser outra coisa.

Para quem é: treina pela saúde — retorno de lesão, começo de jornada, quem quer chegar aos 80 correndo. Vitória para ele: bem-estar sustentado. O que muda no texto: a mensagem abre acolhendo (“como você está hoje”). Num dia ruim, ele recebe permissão explícita para aliviar, sem culpa. Um treino intenso é desmistificado — intenso no nível dele, com margem. Todo termo técnico vem traduzido (“seu ritmo caiu no final”). O que se celebra é ter aparecido e completado.

Para quem é: o hábito ainda está sendo construído; resultado vem depois da constância. Vitória para ele: apareceu de novo. O que muda no texto: reforço de hábito (“mais um dia construído”). Tropeço é normalizado, não cobrado. O dia leve é protegido — porque é ele que segura a rotina. O vocabulário técnico entra aos poucos, um termo de cada vez. O comparativo é a sequência de semanas completadas.

Para quem é: quer progredir de verdade, sem que uma prova domine a vida. Compete consigo mesmo. Vitória para ele: melhor que ontem. O que muda no texto: o texto situa o aluno dentro do bloco. Num dia ruim, apresenta os sinais e a sugestão — a escolha fica com ele. Em dia forte, dá o foco de execução e o erro clássico a evitar. Termo técnico vem com explicação curta. O comparativo é contra as próprias sessões iguais anteriores.

Para quem é: tem prova no calendário e a leva a sério. Cruzar a linha bem-feito é o objetivo — pódio não é a régua. Vitória para ele: a prova completa, bem-executada. O que muda no texto: tudo é lido à luz da prova — o que o treino de hoje constrói para ela, que momento da prova ele simula. Num dia ruim, lembra que a prova se ganha na soma, não num dia. Passou do alvo no leve? O texto lembra que a prova cobra o leve bem-feito. O comparativo é contra o plano da prova-alvo.

Para quem é: age-grouper com prova-alvo. Resultado importa, o treino é prioridade estruturada. Vitória para ele: a categoria de idade. O que muda no texto: a mensagem abre pela missão do dia — o que precisa sair bem. Padrões-alvo explícitos (zona, pace, sensação) e onde não falhar. Passou do alvo no leve, ouve direto: disciplina de zona é treino. Treino perdido vira análise objetiva da causa, sem consolo vazio. Vocabulário completo, sem didatismo.

Para quem é: busca pódio e recorde pessoal. Quer ser desafiado e cobrado com precisão. Vitória para ele: o limite, com segurança. O que muda no texto: direto ao alvo — sessão, função, padrão esperado. Metas finas por bloco e o detalhe que separa bom de excelente. A recuperação é tratada como arma tática, com o mesmo rigor do treino forte. O que se celebra é disciplina fina: splits, controle, detalhe. Números finos entram sem tradução (VI, desacoplamento, drift).


O exemplo abaixo é ilustrativo — escrito aqui para mostrar a diferença, não capturado do app. Suponha o mesmo aluno, o mesmo rodízio leve de 50 minutos, o mesmo problema: era para ficar em Z2 e boa parte foi em Z3. E o mesmo TSB negativo na semana.

O diagnóstico da máquina é literalmente o mesmo nos dois casos: treino leve executado acima do alvo; TSB negativo dentro do esperado para a fase; nenhum sinal de alerta composto.

Você saiu e completou os 50 minutos — isso já é a parte que conta. Dá pra ver que o corpo estava disposto: você acabou indo um pouco mais rápido do que o combinado para hoje. Nada de errado nisso, só uma coisa pra guardar: o dia leve é o que permite o corpo absorver o resto da semana; quando ele fica meio puxado, a gente perde essa recuperação sem ganhar nada em troca. Na próxima, se a conversa ficar difícil de manter, é sinal de aliviar um pouco. E aquele indicador de cansaço acumulado está negativo — é comum nesta altura e, sozinho, não é motivo de preocupação.

Z2 era o treino; boa parte saiu em Z3. Sessão de recuperação executada como sessão moderada não recupera nem estimula — perde as duas pontas, e cobra na sessão-chave da semana. O teto tem que ser respeitado com o mesmo rigor do piso de um tiro. TSB negativo é o plano funcionando; ele sozinho não muda nada aqui. Na próxima, trave o teto pela FC e aceite o pace que vier.

Mesmos fatos, mesmo veredito, mesmos números. Só a conversa mudou.


Nenhum perfil, nem o mais exigente nem o mais acolhedor, escapa destas:

  1. Risco composto é sempre comunicado. Quando vários sinais ruins aparecem juntos (HRV desabando, sono ruim e FC de repouso alta, por exemplo), o texto fala — em qualquer perfil. O perfil calibra a sensibilidade da menção, nunca esconde o risco.
  2. Número isolado não vira freio. Um TSB negativo sozinho nunca é motivo para o app sugerir reduzir ou trocar o treino, em perfil nenhum.
  3. A IA encaminha, não prescreve. Quando o contexto pede mudança de rumo, o texto encaminha (“vale conversar com seu coach sobre isso”). Quem decide o treino é você.

As três travas acima decidem se o texto fala. O perfil decide como — e é aqui que a diferença mais se nota no dia a dia:

  • Nos perfis mais acolhedores (1 e 2), um número ruim de recuperação vem com o convite explícito: o texto diz que o corpo está pedindo alívio e lembra que dá para trocar pelo regenerativo no app. Aliviar é apresentado como escolha inteligente, nunca como recuo.
  • Nos perfis mais exigentes (4, 5 e 6), o mesmo número é tratado como contexto do bloco: o texto explica o que ele significa e segue adiante, fechando com o que a sessão de hoje habilita para a semana. O convite a aliviar só aparece quando a prontidão do dia pede (trava 1), não por causa de um número solto.

O aluno de Alta Performance escolheu carregar carga; o texto dele reflete isso. O aluno de Longevidade escolheu bem-estar; o texto dele também.

Não é só o jeito de falar: o ponto em que um número passa a contar muda com o perfil.

Um saldo de forma em −25 é notícia para quem treina por saúde e é o preço normal da semana para quem está em bloco pesado rumo a um Ironman. Se o app usasse a mesma régua para os dois, ou assustaria o primeiro cedo demais, ou chamaria de “recuperação” o dia normal do segundo — e o aluno de Alta Performance aprenderia a ignorar o aviso, que é o pior desfecho possível.

Então a régua acompanha o perfil: aperta na direção da Longevidade e afrouxa na direção da Alta Performance. Vale para todos os sinais — saldo de forma, HRV, FC de repouso e sono.

Duas coisas que não mudam com o perfil, e é bom saber disso:

  • O número em si. “HRV 2% abaixo do normal” é 2% abaixo do normal em qualquer perfil, na sua tela e na do aluno. O que muda é se esses 2% bastam para o dia ser tratado como dia de cuidado.
  • Sinais que aparecem juntos. Quando dois ou mais sinais degradam ao mesmo tempo, o app avisa — em qualquer perfil, mesmo que cada um deles, sozinho, ainda fosse ruído para aquele atleta.

Há duas portas para a mesma coisa:

  • Na ficha do aluno, no card Perfil, no topo da Visão geral: uma régua de seis posições, de Longevidade a Alta Performance. Clique na posição (ou use as setas do teclado) e pronto — salva na hora.
  • Na lista de alunos, cada linha mostra o perfil atual num chip. Dá para trocar por ali mesmo, sem abrir a ficha.

O ”?” ao lado da régua abre um resumo dos seis e traz o link para esta página.

Padrão da assessoria. Em Configurações, você define o perfil que vale para quem você ainda não classificou individualmente. O chip mostra quando o aluno está herdando o padrão e quando alguém escolheu para ele — assim ninguém confunde “ninguém decidiu ainda” com “foi decidido assim”.

Quem pode trocar: qualquer coach da assessoria.


Vale do próximo texto em diante. O briefing de amanhã, a próxima análise e o próximo recap semanal já saem no tom novo. Nada que o aluno já leu é reescrito — o histórico dele fica como estava.


Não. O perfil é uma decisão sua sobre como conversar com ele, não uma configuração do atleta. No app do aluno não existe essa tela e o texto nunca menciona qual perfil está em uso — ele só percebe que o app fala a língua dele.


Você já pode classificar o roster inteiro agora: escolher o perfil de cada aluno e o padrão da assessoria funciona normalmente, e a escolha fica salva.

O texto ainda não muda para todo mundo. A calibragem de tom está em avaliação numa conta de teste antes de chegar aos alunos — a própria tela avisa quando o perfil de um aluno já está salvo mas ainda não está mudando o que ele recebe. Quando a frente for liberada, os perfis que você já deixou prontos passam a valer sem nenhum trabalho extra da sua parte.